expo_tasaver?
uma instalação de fotografias dos integrantes do coletivo com imagens de 18 países africanos

uma amostra da áfrica hoje

De 21 de maio a 2 de junho, São Paulo recebe na Caixa Cultural a 2ª edição da mostra de documentários “África Hoje”.

Da Primavera Árabe na Tunísia ao legado do Campeonato Mundial de Futebol na África do Sul, “África Hoje” oferece uma visão diversificada e actual dos desafios do continente africano. No total, os paulistanos e demais interessados poderão assistir a 18 produções, entre longas e médias metragens, com origem em dispersas latitudes tais como Senegal, Tunísia, Moçambique, Portugal, Egipto, Inglaterra, entre outros.

O filme que abre a Mostra é “Parole Rouge” (Tunísia, 2011). A Primavera Árabe ainda se cumpre, mas neste documentário o espectador pode assistir à “explosão da palavra” que levou ao início de um movimento que nasce na Tunísia e se espalha como uma chama para outros países e continentes. Nos principais papéis estão os jovens da revolução, o poder dos social media e o desafio de uma nova democracia. Eleito um dos 12 melhores documentários de 2012 pelo MOMA (Museu de Arte Moderna de NY).

Entre os vários filmes da Mostra, muitos se poderão relacionar com a realidade brasileira, mas talvez “Fahrenheit 2010” (África do Sul, 2009) seja o mais imediato. O tema é a Copa do Mundo de 2010 e o seu legado para os sul-africanos, quer do ponto de vista cultural, como financeiro. Quem lucra mais com a Copa?

Com curadoria da cineasta brasileira radicada em Moçambique Luciana Hees, a Mostra pretende ser mais um momento de encontro cultural do Brasil com África.

Depois de São Paulo, a mostra seguirá em Novembro para Salvador, Bahia.

A entrada é gratuita.

Para ver a programação completa, acesse o site do “África Hoje”.
texto: helena alves

kinshasa é para os ouvidos

Você deve ouvir Kinshasa. Kinshasa é para os ouvidos, não para os olhos

É desse jeito singelo que o músico congolense Jupiter Bokondji descreve a capital da República Democrática do Congo, uma das cidades mais musicais do continente africano.

É difícil dizer o que é mais inspirador: a música de Jupiter ou sua história de vida. Segundo o texto do site Groovalizacion, adaptado pelo tás a ver?, ”quando ninguém se atrevia a redimensionar os sons da música congolesa, por medo de transformar sua frutífera tradição, Jupiter, que tinha acabado de chegar a Kinshasa, depois de ter vivido na Alemanha do Leste e na Bélgica como filho de um diplomata, trouxe na mala os ritmos que lhe tinham quebrado a cabeça. Com os pés na cidade, a realidade tomou-o de surpresa e na rua, a música manteve-o no caminho da dignidade. Vivendo para e pela sua música, entendeu, viajando pelo seu país, a força que cada uma das 450 etnias existentes no Congo traz em seus ritmos, de onde surgem uma gama inimaginável de sons, muitos dos quais chegaram até outros continentes. No documentário “Jupiter’s Dance” (2006 – trailer acima), que passeia pela vanguarda do movimento underground da capital, Bokondji conta-nos: “Uma pessoa não vê a Kinshasa, ouve-a. Em cada casa há um músico”. A banda que o acompanha, The Okwess Internacional, mistura os ritmos do Kassai, Baixo Congo, Ecuador e outras regiões do Congo, com a pimenta do Afro-Beat, do Reggae, do Rock e do Funk… este ritmo alucinante Jupiter cunhou de Bofenia Rock.”

Depois de 20 anos estudando e produzindo música, Jupiter finalmente começou a ficar conhecido fora do Congo. Gravou pela Virgin o excelente álbum “Man Don’t Cry” (2007), fez um tours pela Europa e esteve aqui no Brasil no ano passado durante o festival Back2Black. Mas mesmo com essa ascensão recente, suas musicas mantêm a sonoridade dos guettos que o revelaram, muitas vezes nascendo de encontros, instrumentos e situações improvisadas, como é possível ver nesse vídeo.

Jupiter Bokondji. Fica a dica.

DjeuhDjoah

Estava ouvindo essa ótima tracklist do Okayafrica e a primeira música me chamou a atenção. Como de hábito, fui verificar quem era o artista, a música, etc. O nome do cara era estranho, DjeuhDjoah. Precisei ler umas cinco vezes para entender. Google básico e, para minha surpresa, foi difícil encontrar muita coisa sobre o sujeito.

Aparentemente ele mora em Paris, mas cresceu entre Duala – uma importante cidade costeira em Camarões – e Dakar, capital do Senegal. Segundo seu perfil no Myspace, entre alguns dos seus músicos preferidos estão Fela Kuti, Manu Djbango e Keziah Jones. Este último parece ter influenciado bastante a forma de tocar de Djoah, pela sonoridade do violão tocado de maneira sutil e com slaps sincopados. No indexador do Google nota-se sua forte parceria com um tal Lieutenant Nicholson, músico com quem produziu um videoclipe engraçado e três faixas interessantes que podem ser ouvidas na página da dupla no Soundcloud.

Abaixo, o vídeo da música “Cupidon”, de DjeuhDjoah e LT Nicholson.

20 anos depois

Depois de 20 anos, Moçambique voltará a ter uma mostra dedicada ao cinema africano de longa-metragem. Entre os dias 11 e 18/4/2013, será realizada a Primeira Semana de Cinema Africano de Maputo, em que três cinemas da capital exibirão 16 longas-metragens realizados por cineastas de diferentes países do continente.

Infelizmente, a produção cinematográfica contemporânea africana é muito pouco conhecida e difundida no Brasil. Trazemos aqui o trailler de dois destaques da Semana de Maputo:

- Tey (2012), do senegalês Alain Gomis, vencedor do Fespaco, uma espécie de Oscar do continente africano

- Buud Yam (1997), dirigido por Gaston Kaboré, de Burkina Faso.

Além disso, vale olhar esse post que escrevemos sobre o diretor Licínio de Azevedo, nascido no Brasil e radicado em Moçambique. Ele realizou o longa Virgem Margarida, que também estará na mostra.

Clique aqui  para conhecer a programação completa do festival.

virgem margarida


1975, Moçambique.  Enquanto o país africano dava seus primeiros passos como nação independente e socialista, o novo governo buscava eliminar alguns maus hábitos do colonialismo, entre eles a prostituição. Em uma noite, centenas de mulheres são capturadas e levadas num caminhão para um centro de reeducação isolado. Lá, elas são submetidas a um duro programa de doutrinamento que inclui trabalhos forçados e castigos corporais. Entre elas está Margarida, de 16 anos, capturada ao acaso por estar sem documentos. Quando as prostitutas descobrem que Margarida é virgem, ela passa a ser protegida e idolatrada como uma santa.

Esse é o tema do longa Virgem Margarida, do diretor brasileiro Licínio Azevedo, radicado há quase 40 anos em Moçambique. O filme, que foi rodado em Manica, no centro de Moçambique, com uma equipe de quase 200 pessoas de dez países diferentes, estreou no Festival de Toronto e agora está sendo exibido no Festival do Rio.

Para saber mais sobre o filme, vale ler a entrevista com o diretor Licínio Azevedo publicada no jornal português O Público e no portal de cultura africana contemporânea Buala.

 

 

clementinas

Fatime Faye from Marília Scharlach on Vimeo.

“Na nossa família, de quatro meninas e dois meninos, eu sempre fui a mais ‘sop’ como se diz em wolof, a mais turbulenta.” Inquieta, Fatime Faye mudou de casa, de cidade e de marido algumas vezes. A liberdade sempre foi prerrogativa de suas decisões. Em 2010, com 53 anos mudou-se para uma vila de pescadores no Senegal e vem implementando mudanças no vilarejo de Toubab Dialou. A história de Fatime e de outras 4 mulheres senegalesas fazem parte do Clementinas – um site de histórias de mulheres.

O site é uma iniciativa do tás a ver? e registra de publica histórias de mulheres de todos os tipos e de todas as partes. As histórias são elaboradas através da metodologia do Círculo de Histórias, na qual histórias pessoais são construídas colaborativamente: você conta sua história e seu grupo colabora na construção da sua narrativa. O site é movido pelo desejo de conhecer as mulheres que vivem a história hoje, o que as mobiliza e inquieta.

As histórias irão inspirar outras pessoas e conectar mulheres do mundo, mostrando as infinitas possibilidades de ser mulher. Para conhecer as outras histórias: www.clementinas.org

 

Lecode
Coletivo tás a ver? 2013   CC